O fato a se comemorar é apenas a ruptura de um suposto equilíbrio que sacraliza o mercado e inferioriza os Estados Nações. Ora, se quando o sistema entra em colapso são os cidadãos que arcam com o ônus, é de se supor que mesmo os governantes capitalistas mais ortodoxos exijam medidas de prevenção. Por mais que saibamos que a bolha tem nome e sobrenome, que muitas fortunas foram feitas tendo por base a especulação, pelas atuais regras do jogo estes "felizardos" não arcarão com as conseqüências de seus atos. Já escapuliram da ciranda a tempo, até porque detém análises muito mais apuradas do que as autoridades de Estado. Há procedimentos criminosos no meio disso, sem dúvida, mas a especulação em si é permitida e até incentivada e está na raíz do problema. Mesmo que todos os desvios fossem detectados e corrigidos, isso aliviaria mas não alteraria o estouro. A emissão de títulos não lastreados pode ser considerada gestão temerária ou até fraude, mas a especulação que fez com que estes títulos fossem infinitas vezes sobrevalorizados faz parte do jogo, que agora se demonstrou insustentável.
Onde isso tudo vai dar? Quem viver verá... Nós, reles mortais descapitalizados e sem poder de interferência nas macrodecisões econômicas apenas podemos assistir os desdobramentos. Menos mal que o Brasil hoje tem âncoras reais que amortecem os impactos da recessão que se inicia. Somos detentores de ativos econômicos que nos permitem manter uma certa normalidade. As reservas cambiais estão em bom nível, temos uma variedade de parceiros comerciais interessante, recursos naturais incomparáveis, a produção agrícola vem batendo recordes consecutivos a anos, não vivemos grandes conflitos com países estrangeiros, acabamos de receber as boas novas do petróleo no pré-sal... O que nos fragiliza é uma institucionalidade submissa aos interesses dos grandes grupos financeiros. Nossos governantes ainda não cumprem a aliança com a cidadania, que povoa seus discursos. Entre aumentar a base consumidora ou a margem de lucros das instiuições bancárias, a segunda tem sido a opção trilhada por muitos anos, tanto é que os bancos locais ou os que por aqui aportam superam em muito a lucratividade obtida em outros lugares. Nem mencionemos a corrupção, que não seria caso de discussão mas de polícia, se esta fosse verdadeiramente colocada para combater os crimes do colarinho branco. Mesmo tratando apenas do posicionamento político, o compromisso com o crescimento econômico ainda é vinculado a manutenção da taxa de lucros e não à conquista de novos patamares de qualidade de vida e reversão da concentração de renda.
Por hora, vamos levando a vida com um "olho no gato e outro no peixe"...
2 comentários:
Pelo jeito só eu leio esta "blogaria", ou sou o único que comenta...
Estou me divertindo com essa crise estadunidense. Há pouco tempo, quando alguém falava em socialismo só faltava apanhar. O pessoal já vinha com aquela conversa mole da "queda do muro", que o mercado regula tudo, etc... Agora, com a chegada dessa "crise anunciada", quero ver qual o novo argumento para a defesa do capitalismo selvagem atual.
Meu ídolo, Leonel Brizola, deve estar se revirando no túmulo, morrendo (novamente) de rir!
Abrakos!
Gegê Malvadeza
eh.. boi..
éh.. nóis..
tristeza viu..
Tô de olho no peixe ..
Postar um comentário